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TDAH: Compreendendo o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, mais conhecido pela sigla TDAH, é um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais estudados atualmente. Ele afeta crianças, adolescentes e pode persistir até a vida adulta, impactando significativamente o comportamento, a aprendizagem e as relações sociais.


O que é o TDAH?
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o TDAH é um transtorno neurobiológico de causas genéticas, que se manifesta, principalmente, por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Esses comportamentos vão além de uma agitação comum ou de simples distrações. Eles interferem no dia a dia da criança — em casa, na escola, nas relações com amigos e familiares.


De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), os principais sintomas de desatenção incluem:
• Dificuldade em manter o foco em tarefas ou atividades;
• Esquecimento frequente de compromissos ou objetos;
• Aparente falta de escuta quando alguém fala diretamente com a criança.


Já os sintomas de hiperatividade e impulsividade podem envolver:
• Inquietação constante (mexer mãos, pés, sair do lugar);
• Falar em excesso;
• Dificuldade para esperar a vez ou interromper os outros.


TDAH e as Funções Executivas
O TDAH está intimamente relacionado ao funcionamento das funções executivas, que são habilidades mentais essenciais para organizar, planejar, manter o foco, controlar impulsos e tomar decisões. Essas funções acontecem, principalmente, no córtex pré-frontal, uma área do cérebro altamente desenvolvida nos seres humanos.


Como afirma o neurocientista Russell Barkley (1997), uma das principais disfunções do TDAH está no controle inibitório, ou seja, na dificuldade que o indivíduo tem de inibir comportamentos inadequados ou impulsivos. Segundo ele:
“O TDAH não é um transtorno de atenção, mas sim uma disfunção no autocontrole, o que inclui a capacidade de inibir respostas, resistir a distrações e manter o esforço mental.”


Outros estudos, como o de Gonçalves, Pureza e Prando (2011), também identificam prejuízos na memória de trabalho, no automonitoramento e na tomada de decisões em crianças com TDAH.


Como o TDAH impacta o cotidiano?
Na prática, uma criança com TDAH pode:
• Ter dificuldade para seguir instruções;
• Demorar para concluir tarefas escolares;
• Apresentar comportamentos impulsivos ou inadequados para a idade;
• Ser rotulada como “desobediente” ou “desinteressada” injustamente.


Esses prejuízos não se limitam à sala de aula. Eles impactam também a autoestima da criança, sua motivação e suas relações afetivas. Muitas vezes, ela própria não entende por que age de determinada maneira — o que pode gerar frustrações, isolamento e até sofrimento emocional.


A importância da avaliação e intervenção especializada
É fundamental ressaltar que o diagnóstico de TDAH não deve ser feito de forma precipitada ou com base apenas em observações escolares. É necessário um processo criterioso de avaliação, com testes neuropsicológicos e entrevistas com a família e a escola.


Nesse contexto, o trabalho do neuropsicopedagogo clínico é essencial. Como profissional que integra conhecimentos da neurociência, da psicologia e da pedagogia, o neuropsicopedagogo pode:
• Avaliar as funções cognitivas e executivas;
• Mapear as dificuldades específicas de aprendizagem;
• Planejar intervenções personalizadas;
• Acompanhar a evolução do paciente em parceria com escola e família.

Tem alguma dúvida sobre o assunto? Entre em contato!

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